Foto e texto: by Stela Murgel
Após
cirurgias nas mãos, paciente tetraplégica ganha independência e volta a fazer
movimentos que não realizava após acidente
“...não preciso que
alguém faça por mim, preciso apenas de ajuda em alguns momentos”, diz Gabriela
Rodrigues Cardoso, 22 anos. Com um sorriso que vai se formando timidamente ao
longo da conversa, Gabi, como é chamada por todos, no auge da sua juventude
conta sua trajetória até chegar ao Instituto de Ortopedia e Traumatologia do
HCFMUSP e passar com a especialista em mão, Renata Paulos – sua “libertadora”
como diz a mãe, Erica Vanessa Cardoso.
Em setembro de 2014, Gabriela foi acompanhar a sogra numa
perícia em Bragança. Na volta para Atibaia o carro em que estavam capotou.
Assim como o veículo, a vida da jovem que sonhava em casar e fazer faculdade
também “virou de cabeça para baixo”... Sua sogra morreu na hora, e Gabi ficou
tetraplégica.
“Quando vou poder andar?”, esta foi a primeira coisa que
perguntou para os médicos, mas não obteve resposta. A única coisa que disseram
é que a recuperação seria de 6 meses a 1 ano. Foram 68 dias internada, 1 ano de
reabilitação até ser encaminhada para a ortopedia do HC para uma avaliação e
realização de uma cirurgia que daria força nas mãos.
Com medo de cirurgias, a jovem que procurava fazer tudo a sua
maneira, só se decidiu a passar pelo procedimento alguns meses depois, e não se
arrepende. Com lágrimas nos olhos, lembra quando estendeu o braço esquerdo após
a cirurgia. “Não acreditava como os médicos conseguem fazer isso”, conta. “Foi
a primeira vez que sorri, que sorri com a alma”, completa a jovem que, segundo
ela, não é muito de sorrir, ou pelo menos não era.
Hoje, após ter feito cirurgia nas duas mãos, Gabriela só
precisa de ajuda para se transferir de um lugar para outro. Como toda garota de
sua idade se pinta, faz escova de cabelo, se depila e, o que era para ela um
bicho de “sete cabeças”, a sonda, se tornou um “animal domesticado”. Renata
Paulos, segundo suas palavras, a doutora mais humana que já conheceu, lhe
devolveu sua liberdade, a sensação de não depender do outro para fazer as
coisas por ela.“Tudo que eu puder fazer para melhorar eu farei. O amanhã tá
nas mãos de Deus”, finaliza Gabi.
