sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Liberdade de adaptar


Texto: Stela Murgel
Foto: Arquivo Pessoal

Rua, pés no chão, liberdade...imagem que vem a cabeça de Fernando Pontes, o FerNando, terapeuta ocupacional do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUSP.
Natural de São Vicente, litoral de São Paulo, FernaNdo cresceu brincando na rua e construindo castelos de areia. “tive uma infância muito gostosa e tranquila”, diz o terapeuta.
Como bom geminiano, sua vida é marcada por duas vertentes. Transita de um lado a outro. Curiosidade, inteligência e desejo de liberdade, fazem parte de sua rotina. Escolheu a Terapia Ocupacional numa feira de profissões. “Durante uma palestra soube que a terapia adaptava a pessoa a realizar suas atividades, e me interessei”, conta.
As dúvidas que tinha sobre sua escolha, se desmancharam logo no primeiro ano da graduação. “Me apaixonei pelo curso”, diz com um ar de quem fez a escolha certa.
Entre São Paulo e São Vicente, o agito e a tranquilidade, o antigo e o tecnológico, Fernando consegue viver de maneira versátil com o Fê do agito, do trabalho e o Nando da tranquilidade, da família.
Menino. Homem. Não importa qual face do signo de Gêmeos estará evidente, pois todas mostram uma ânsia pelo conhecer, pelo novo, por estar com os amigos.
Dócil, fácil de lidar, observador, é possível enxergar no meio dos dois extremos, o profissional, que  de maneira extremamente humanizada, ensina seus pacientes a reaprenderem a realizar suas tarefas. É possível encontrar um equilíbrio chamado FERNANDO

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Detran homenageia profissionais do IOT




Texto: Stela Murgel



“Acidente com sete carros na Marginal Pinheiros deixa cinco feridos”... “Colisão entre veículos deixa 3 mortos e 1 ferido no Itaim Bibi, em SP”...já virou rotina, todos os dias ao abrirmos os jornais ou site de notícias e nos depararmos com fatos como estes. E no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUSP, o atendimento das vítimas de acidentes de trânsito já faz parte do dia a dia dos profissionais.

Médicos, assistentes sociais, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, enfim todos que nele trabalham lidam direta ou indiretamente com os acidentados. Não é raro noticiarem que os feridos foram enviados para o Hospital das Clínicas, pois geralmente são lesões graves. Lesões, muitas vezes, causadas por imprudência de quem dirige. Não é o carro que causa o acidente, é o motorista.

A vítima tem nome, precisa se reabilitar, e tem uma vida social a ser reestruturada. Para isso, recebe o atendimento do doutor, da fisio, da TO, da assistente social, e de outros tantos que trabalham duro para amenizar as consequências e sequelas deixadas pelo descuido no trânsito.

Este ano, através de uma ação do Detran-SP para a Semana Nacional do Trânsito, estes profissionais deixaram de ser uma sigla, uma máscara, um terapeuta, um assistente e ganharam um rosto, um nome, e o agradecimento de motoristas infratores que participaram do curso de reciclagem.

Além de participarem do bate papo com o Dr. Jorge dos Santos Silva (diretor clínico), Izabel Miomy (enfermeira), Raquel Moura (fisioterapeuta), e Lilian Aparecida G. Maria (assistente social), cada infrator escreveu uma carta de agradecimento a um profissional do IOT que atende vítimas de trânsito. Não faltaram agradecimentos e palavras para expressar a admiração aos nossos profissionais. E a nós, que trabalhamos todos os dias com esta família chamada ortopedia, só nos resta bater palmas e dizer um lindo e coletivo : MUITO OBRIGADO!



terça-feira, 24 de setembro de 2019

Transforme sua lágrima em sorriso



Texto: Stela Murgel
Foto: álbum de família


Lágrima: dor e tristeza. Sorriso: satisfação. Como a dor da perda pode se transformar em sorriso de satisfação? Pode parecer impossível, mas acredite, esta mutação acontece. Uma lágrima pode se multiplicar e ter como resultado inúmeros sorrisos.
Uma gota pode hidratar e reerguer uma planta, assim como a lágrima derramada pela perda de um ente querido pode dar uma nova vida a quem está se apagando.
Dói, mas é preciso regar, e fazer com que cada uma das sementes retiradas brote e floresça numa nova chance.
Fazer com que aquele ente se multiplique, se torne onipresente. Imagine como será bom ver um pouquinho da pessoa amada em várias pessoas. Ele terá a oportunidade de viver de várias maneiras, estilos de vida, gênero, raça...enfim, de alguma forma ele viverá!
Não é fácil. Ninguém disse que será. No entanto, quando tudo isso passar e olhar para trás, verá que a lágrima se transformou em sorrisos. E, no reflexo do espelho, notará que a gota que escorreu dos olhos fez brotar na boca um SORRISO!


sexta-feira, 20 de setembro de 2019

A pitada de “sal” que da graça a ortopedia

Texto: Stela Murgel
Foto: Arquivo Pessoal


4h30 da manhã. Hora de menino de 12 anos ainda estar dormindo. Mas, o ortopedista Luiz Koiti Kimura, o Kimura como é conhecido por todos, lembra, de nesta idade, ir nas peixarias da liberdade com o pai. Lá encontravam os poucos chefes de cozinha famosos que haviam na colônia na década de 1970.
Filho de uma dona de casa com um vendedor, Kimura herdou a paixão pela culinária dos pais, que não o deixavam cozinhar. “Só comecei quando fui morar sozinho”, conta enquanto a memória te traz mais histórias sobre culinária.
Criado no Ipiranga, escolheu a medicina por acaso.  Apesar de ser bom na profissão, é sobre a gastronomia que gosta de falar. De um episódio, sempre encontra um fio condutor para outro.
Da comida imperial chinesa à comida de rua. Através das recordações do ortopedista, é possível saber a cultura e algumas curiosidades da culinária de cada região.

Visão, olfato, e paladar...ah o paladar, este dos três, é o principal sentido para se apreciar a boa comida segundo o ortopedista que define sua personalidade como sal. “Sal é o principal ingrediente, é ele que dá gosto ou não ao prato”, diz.
Com uma biblioteca gastronômica maior que a de medicina, sonha em conhecer todos os restaurantes do mundo. Conhecido e amigo de grandes chefes de cozinha como Alex Atala, atende no consultório muitos profissionais da área. “A medicina e a culinária acabaram se encontrando de certa forma”, constata o médico.
Quem ouve o especialista falar, logo pensa que gastronomia teria sido a escolha mais sensata. Mas quem vê o médico atuar, conclui que a medicina ganhou um pouco de “sal”.  

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Feliz Dia do Ortopedista








Texto e foto: Stela Murgel


Ortopedista: o que pratica a ortopedia; especialista em ortopedia (especialidade médica que cuida do aparelho locomotor). Na prática, verdadeiros artistas que restauram seres humanos... Recuperar a mais perfeita das máquinas já inventadas, é tarefa para poucos. É preciso força, objetividade e praticidade para encaixar as peças e manter a funcionalidade do sistema composto por ossos, músculos, ligamentos e articulações. Dizem que ortopedista não é médico...realmente, ele é muito mais que um médico. Ele trata, conserta, cura, enfim restaura com maestria a mais perfeita das obras: a estrutura que mantem todos os órgãos no lugar: o aparelho locomotor. E no dia do ortopedista, nada mais justo que desejar a estes especialistas na arte de consertar pessoas um : FELIZ DIA DO ORTOPEDISTA!

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

"Deixa a vida me levar... eu só quero é ser feliz"


 Texto: Stela Murgel
Fotos: Arquivo pessoal


F-I-S-I-O-T-E-R-A-P-I-A, palavra grande para uma menina de 8 anos, mas suficientemente chamativa para saber o que queria ser quando fosse grande. Hoje, a menina cresceu e sabe que fisioterapia não é apenas uma palavra bonita. A criança que se vestia de caipira e brincava com o pai, deu lugar a moça que sorri com os olhos e a fisio Raquel, como é chamada pelos pacientes.
Raquel Moura, a Quel,  sempre quis ser fisioterapeuta. “Acho que foi um dom que ganhei de presente”, diz em meio a um sorriso de menina.
 Há seis anos no Instituto de Ortopedia do HCFMUSP, Raquel conta que nunca precisou procurar emprego. “Minha vida foi sendo guiada por Deus”, constata fazendo uma retrospectiva do caminho percorrido até chegar ao hospital.
Extremamente ligada à família, a moça de sorriso fácil, enxerga em seus pacientes muito mais que uma perna, um braço. Acredita que o sucesso do tratamento é olhar o paciente como um todo, e fazer com que ele entenda a importância da reabilitação no contexto de sua vida. “Não adianta imobilizar uma perna se ela não tiver sentido para a pessoa. Procuro através de meu trabalho deixar o paciente o mais próximo do que era antes”, fala.
Com a vocação de ajudar ao próximo, herdada do avô, a fisioterapeuta consegue criar um vínculo com seus pacientes. No celular, as fotos do seu maior bem, a família.
Depois da morte de maneira trágica do pai, ela, a irmã e a mãe se uniram ainda mais. Apesar do baque de ter perdido o pai de maneira trágica, Raquel não vê a morte como algo ruim. Acredita que a vida tem um começo, um meio e um fim, e por isso procura viver o hoje.
“E deixa a vida me levar (vida leva eu!)”, é com este refrão que se define a menina que queria fazer FISIOTERAPIA, mas ao conversar um pouquinho com a moça de alto astral que gosta de cuidar, percebemos que nesta trilha sonora cabe mais um refrão: "Eu só quero é ser feliz!"



quinta-feira, 5 de setembro de 2019

De pequena 'tocadora' de passarinhos à Assistente Social



Texto e foto: Stela Murgel



O ano, 1959. A lembrança, a mãe segurando uma lamparina o mais alto que podia e chorando. “Parecia uma santa”, recorda a assistente social do Instituto de Ortopedia do HCFMUSP, Alice Hirano.

Filha de japoneses, Alice trás na memória a última vez que viu sua genitora, no dia que saiu de Mato Grosso do Sul, com 8 anos, para estudar em São Paulo. Pelas mãos do pai, um homem rígido, mas de coração grande, a pequena Alice começou sua trajetória.

Com sorriso de menina relembra o pôr do sol e o vento de Presidente Venceslau (SP), cidade onde nasceu. E é com carinho, que a sexta filha, de uma prole de 11 filhos, conta do “panelaço” que fazia para espantar os passarinhos da plantação de arroz. “Na hora que desciam para comer, saíamos fazendo maior barulho e gritando para tocarmos os passarinhos”, conta rindo.
Alfabetizada pela irmã, pensou em ser professora de história. Mas, aos 12 anos, quando uma professora contou sobre algumas profissões, se interessou pela assistência social. “Atender famílias, pessoas com dificuldades, problemas, conflitos, enfim, poder ser mediadora e orientar, era o que eu queria fazer”, diz.

Após se formar, a profissional passou por lugares como: Hospital Municipal de Itaquera, Entidade Beneficência Nippo Brasileira, e Santa Marcelina. Com 59 anos, perto de se aposentar, Alice resolveu se libertar e assumir sua idade. “Foi a melhor coisa que fiz”, afirma. Coincidência ou não, o 59 parece ser um divisor de etapas na vida desta nissei de sorriso maroto.

Em 2012, entrou para o Instituto de Ortopedia. Mesmo aposentada, acha que não é a hora de parar. “O reconhecimento dos pacientes me faz continuar. Quando agradecem, vejo que valeu e vale a pena”, confessa.

Hoje, aos 68 anos, a assistente social Alice Hirano, o exemplo da família por ter se formado, e contrariando a tradição oriental, pois a última palavra da casa é dela, resume sua vida como plena. “Tenho alguns sonhos, mas minha vida até aqui foi muito bem vivida!”, finaliza                                                              

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

De torcedor todo médico tem um pouco



 Texto: Stela Murgel


 Torcer pelo Brasil nos Jogos Pan-americanos de Lima 2019 no lugar mais vip de todos, é para poucos. Mas, fazer parte da torcida privilegiada e da equipe brasileira que conquistou inúmeras medalhas, é para os melhores profissionais das américas. E compondo a delegação verde e amarela estava o ortopedista Mateus Saito.

“Contribuir com o melhor resultado de uma delegação brasileira nos Jogos Pan-americanos foi uma realização pessoal muito grande”, diz o especialista que quando criança sonhava em ser como Jacques Costeau e explorar os mares.Católico, fascinado pela vida e pelo funcionamento dos seres vivos, foi na medicina que encontrou o caminho para ajudar o próximo. “Decidi ser médico por lidar com a vida e com o alívio do sofrimento das pessoas”, conta o especialista.

Durante a graduação, se identificou com a medicina esportiva, pois o esporte promove a saúde e previne doenças. Na residência, optou pela ortopedia por ser uma especialidade prática, objetiva e lidar, muitas vezes, com pacientes saudáveis – como por exemplo, um atleta lesionado.

Mateus, assim como um atleta de alta performance, sempre buscou pela excelência. Como médico da Seleção Brasileira de Judô teve a possibilidade de estar num ambiente de alta performance, junto com os melhores profissionais das américas, buscando os melhores resultados. “Foi um grande mérito fazer parte dos Jogos Pan-americanos de Lima 2019”, diz Saito, nosso especialista medalha de OURO!  

A moleca com mãos de fada




Foto e texto: by Stela Murgel



Moleca! Assim se define a doutora com cara de anjo que faz toda a diferença na vida de seus pacientes Renata Paulos. A menina que subia em árvores, jogava bola, adorava aula de ciências e se defendia dos meninos que ousassem a perturba-la cresceu. Cresceu e se tornou uma médica que não suporta injustiças.

Renata, que sempre quis ser médica, optou pela ortopedia, especialidade que combinava mais com o perfil da menina arteira e atleta. Apesar de afirmar não ser nada delicada, é na delicadeza de seu atendimento e de suas mãos que pacientes tetraplégicos conseguem de volta parte da independência perdida.

Durante um estágio na europa teve o primeiro contato com cirurgias que recuperavam o movimento de pinça das mãos de pacientes tetraplégicos. “Percebi que através daquele trabalho poderia mudar a vida de alguém”, relembra com brilho nos olhos.

A doutora estava certa, sua escolha não poderia ter sido melhor. É possível saber o quanto seu trabalho faz diferença na vida de seus pacientes através de inúmeras mensagens de agradecimento recebidas e guardadas em seu celular como verdadeiras jóias.

Hoje, após muitos obstáculos, a maior recompensa da doutora que não gosta de injustiças, é ver pacientes tetraplégicos dispostos a junto com a equipe de especialistas trabalharem pela “liberdade” de terem parte da independência cotidiana conquistada. É poder estar com um “time” onde cada um tem que fazer sua parte, para no final da partida olhar para trás e dizer:  Valeu a pena!