Texto e foto: Stela Murgel
O ano, 1959. A
lembrança, a mãe segurando uma lamparina o mais alto que podia e chorando.
“Parecia uma santa”, recorda a assistente social do Instituto de Ortopedia do
HCFMUSP, Alice Hirano.
Filha de japoneses,
Alice trás na memória a última vez que viu sua genitora, no dia que saiu de
Mato Grosso do Sul, com 8 anos, para estudar em São Paulo. Pelas mãos do pai,
um homem rígido, mas de coração grande, a pequena Alice começou sua trajetória.
Com sorriso de menina
relembra o pôr do sol e o vento de Presidente Venceslau (SP), cidade onde
nasceu. E é com carinho, que a sexta filha, de uma prole de 11 filhos, conta do
“panelaço” que fazia para espantar os passarinhos da plantação de arroz. “Na
hora que desciam para comer, saíamos fazendo maior barulho e gritando para
tocarmos os passarinhos”, conta rindo.
Alfabetizada pela irmã,
pensou em ser professora de história. Mas, aos 12 anos, quando uma professora
contou sobre algumas profissões, se interessou pela assistência social.
“Atender famílias, pessoas com dificuldades, problemas, conflitos, enfim, poder
ser mediadora e orientar, era o que eu queria fazer”, diz.
Após se formar, a
profissional passou por lugares como: Hospital Municipal de Itaquera, Entidade
Beneficência Nippo Brasileira, e Santa Marcelina. Com 59 anos, perto de se
aposentar, Alice resolveu se libertar e assumir sua idade. “Foi a melhor coisa
que fiz”, afirma. Coincidência ou não, o 59 parece ser um divisor de etapas na
vida desta nissei de sorriso maroto.
Em 2012, entrou para o
Instituto de Ortopedia. Mesmo aposentada, acha que não é a hora de parar. “O
reconhecimento dos pacientes me faz continuar. Quando agradecem, vejo que valeu
e vale a pena”, confessa.
Hoje, aos 68 anos, a
assistente social Alice Hirano, o exemplo da família por ter se formado, e
contrariando a tradição oriental, pois a última palavra da casa é dela, resume
sua vida como plena. “Tenho alguns sonhos, mas minha vida até aqui foi muito
bem vivida!”, finaliza
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