quinta-feira, 5 de setembro de 2019

De pequena 'tocadora' de passarinhos à Assistente Social



Texto e foto: Stela Murgel



O ano, 1959. A lembrança, a mãe segurando uma lamparina o mais alto que podia e chorando. “Parecia uma santa”, recorda a assistente social do Instituto de Ortopedia do HCFMUSP, Alice Hirano.

Filha de japoneses, Alice trás na memória a última vez que viu sua genitora, no dia que saiu de Mato Grosso do Sul, com 8 anos, para estudar em São Paulo. Pelas mãos do pai, um homem rígido, mas de coração grande, a pequena Alice começou sua trajetória.

Com sorriso de menina relembra o pôr do sol e o vento de Presidente Venceslau (SP), cidade onde nasceu. E é com carinho, que a sexta filha, de uma prole de 11 filhos, conta do “panelaço” que fazia para espantar os passarinhos da plantação de arroz. “Na hora que desciam para comer, saíamos fazendo maior barulho e gritando para tocarmos os passarinhos”, conta rindo.
Alfabetizada pela irmã, pensou em ser professora de história. Mas, aos 12 anos, quando uma professora contou sobre algumas profissões, se interessou pela assistência social. “Atender famílias, pessoas com dificuldades, problemas, conflitos, enfim, poder ser mediadora e orientar, era o que eu queria fazer”, diz.

Após se formar, a profissional passou por lugares como: Hospital Municipal de Itaquera, Entidade Beneficência Nippo Brasileira, e Santa Marcelina. Com 59 anos, perto de se aposentar, Alice resolveu se libertar e assumir sua idade. “Foi a melhor coisa que fiz”, afirma. Coincidência ou não, o 59 parece ser um divisor de etapas na vida desta nissei de sorriso maroto.

Em 2012, entrou para o Instituto de Ortopedia. Mesmo aposentada, acha que não é a hora de parar. “O reconhecimento dos pacientes me faz continuar. Quando agradecem, vejo que valeu e vale a pena”, confessa.

Hoje, aos 68 anos, a assistente social Alice Hirano, o exemplo da família por ter se formado, e contrariando a tradição oriental, pois a última palavra da casa é dela, resume sua vida como plena. “Tenho alguns sonhos, mas minha vida até aqui foi muito bem vivida!”, finaliza                                                              

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