domingo, 17 de novembro de 2019

A delicadeza e precisão do cuidar



Foto e texto: Stela Murgel




Não é raro nos depararmos com a cena de um médico, de princípios rígidos para determinados assuntos, esbravejando nos corredores do centro cirúrgico ou do ambulatório. Logo pensamos, estou na fábrica dos Monstros S.A., em que o lema é “no susto e no grito fazemos bonito”? Não, é apenas o dia  do especialista em mão Emygdio José Leomil de Paula, o “Sullivan” do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUSP, que assim como a grande bola de pelo da animação é sensível e dono de um  coração enorme.
Filho de um militar, é o segundo de seis irmãos. Natural de Santos, o menino de infância nômade sempre quis ser médico, ortopedista e trabalhar com mão. No colegial, chegou a aprender um pouco de cinema, algo de que sempre gostou, mas não desistiu de seu propósito, SER MÉDICO.
Na faculdade, enquanto os colegas não sabiam qual especialidade seguir, ele já sabia o que queria, mesmo não sabendo muito bem o que era cirurgia da mão. “A mão sempre me fascinou, por sua delicadeza, precisão dos movimentos. Ela expressa sentimentos, fala, puni, cuida. Quem perde a capacidade de mover as mãos perde o contato com o mundo”, diz Emygdio com uma sensibilidade impar.
Emygdio acredita que sua fama de “bravo” se deve pelo fato de não admitir certas atitudes. “O médico precisa ter respeito e responsabilidade para o doente que se entrega na mãos dele”, fala.
Como bom educador, procura ensinar a nova geração de médicos o que os livros não contam, deixa que aprendam e mostra que podem errar. “Começo a ver o aeroporto, começo a delegar para os que ajudei a mostrar o caminho”, constata com orgulho dos profissionais que formou.
Hoje, o nosso “Sullivan” que conquistou tudo que desejou, tem nas mãos dos filhos, cujo o nascimento marcou sua vida, a realização da única coisa que falta: netos.
Emygdio que abraça as causas perdidas, que cuida das pessoas “esquecidas”, assim como das orquídeas de seu orquidário, com paciência e carinho, vêm de uma família onde se chamar pelo nome Emygdio em uma festa, muitos irão responder, já que é um nome comum entre os primogênitos. Mas, com certeza, na família IOT ele será o único, e como diria Boo “Alguém tem que cuidar de você, bola de pelo."



sexta-feira, 25 de outubro de 2019

"Maior sorriso da América Latina"


Texto e foto: Stela Murgel


Sorriso no rosto e a alegria do primeiro dia de trabalho. É assim que colegas do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUSP encontram Sandra Irineu Duarte, enfermeira do 2B. São 19 anos de Hospital das Clínicas, mas Sandra chega todos os dias com o ânimo e a disposição da primeira vez que chegou para trabalhar.
Natural de Fortaleza, a caçula de uma família de retirantes, veio para São Paulo ainda criança. Lembra da impressão traumática que teve da cidade por conta do frio. Acostumada com uma região quente, em que o inverno é sinônimo de chuva, teve alergia ao novo clima.
Começou cedo, o primeiro emprego foi como ajudante de cozinha em um hotel. ”Trabalhava durante o dia e a noite fazia curso de auxiliar de enfermagem”, relembra a enfermeira, que escolheu a profissão seguindo os conselhos de uma vizinha.
Reservada e apaixonada pelo que faz, Sandra, que nunca imaginou trabalhar num hospital, hoje exibe o crachá e diz com orgulho “Trabalho no maior hospital da América Latina”.
Emotiva, se considera uma pessoa privilegiada. Amada e contando com apoio de muitas pessoas, se define como uma heroína, pelas batalhas diárias. Problemas? Sim ela tem, mas ficam guardados quando sai de casa para mais uma jornada. “Deixo meus problemas lá fora”.
Profissional dedicada, é motivo de orgulho de toda a família. Foi a única do clã a fazer faculdade. Sagitariana, extremamente apegada aos familiares, a enfermeira otimista e de sorriso sempre presente no rosto, tem o sonho de voltar a terra natal. “Adoro o mar, os bichos, a natureza”, revela com brilho nos olhos.


Sandra se prepara para poder retornar para os braços de sua tão amada terra, mas enquanto isso não acontece, só nos resta dizer com muito orgulho “Temos no HC o maior sorriso da América Latina”.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Plantar para “valer a pena”


Texto e foto: Stela Murgel


Posto de enfermagem do 1ºB. Atrás do balcão, Dani, com a feição de quem aguarda na janela entre um afazer e outro.  A oficial administrativa, Danielle Carla da Silva, é a segunda de três irmãos. “A “dona encrenca”, a que questiona tudo”, diz.
Natural de São Paulo, é uma “hagaciana” de berço. Nasceu no Hospital das Clínicas, frequentou a creche, estudou nos arredores e, hoje, trabalha na ortopedia. “HC na veia”, fala dando risada, a descendente de uma funcionária aposentada da instituição.
Da criança que cresceu com o pai ausente, tem na memória a lembrança da batalha da mãe para a criação dos filhos, e a vitamina de abacate na mamadeira, momento que ficou na memória dela e dos irmãos. “Era a hora que tínhamos para ficarmos todos juntos”, conta.
Persistência é a palavra que define a moça de personalidade forte, que aprendeu a se defender do preconceito racial, e que procura ser uma inspiração para a filha de 14 anos, assim como a mãe é para ela. “Sou amiga de minha filha, mas quando é para ser mãe eu sou MÂE! E se tiver que defender minha cria, viro uma verdadeira leoa”.
Atualmente, além do trabalho no hospital, Danielle - que também é formada em recursos humanos e protética – se aperfeiçoa na área de estética. Ela que sempre foi muito vaidosa, e que criou coragem depois dos 30 anos de ousar no visual, gosta de cuidar da estética das pessoas.
Extremamente família, foi com a mãe que aprendeu que a união é o que realmente importa. Hoje, a menina tímida, deu espaço a mulher desinibida, durona, mas sensível, e com um sorriso que a acompanha em cada passo dado. Seletiva nas amizades e dona de uma alma colorida, tem certeza que cada semente plantada para o futuro “vai valer a pena”.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

É preciso brincar para poder...VIVER!



Texto: Stela Murgel
Foto: Arquivo pessoal

Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUPS, térreo, ambulatório, sala 8. É na sala atrás da porta amarela que se encontra a assistente social Giani Gouveia. Entre um atendimento e outro, muitos afazeres. O olhar maroto e o jeito brincalhão não escondem o passado de uma mulher que teve infância. “Minha lembrança mais forte de criança é o brincar, brinquei muito”, diz com um semblante de quem viaja no tempo.
Única mulher e caçula de uma prole de três, Giani nasceu em São Miguel Paulista, na maternidade de São Miguel Paulista, como gosta de frisar para que não haja nenhuma dúvida de sua naturalidade.
Descendente de migrantes nordestinos, que se conheceram em São Paulo, foi uma menina que brincou de casinha, corda, boneca e, principalmente, cheia de amigos. “Eu tive uma infância”, fala com orgulho de quem vive cada etapa da vida.
Filha de doméstica com um operário, conta que sempre teve dos pais, que não tiveram oportunidade, o incentivo para os estudos. Focada em romper e não em reproduzir a história dos progenitores, que sempre foram uma inspiração, Giani batalhou, e batalhou muito para ter uma formação.
A escolha da carreira foi para poder auxiliar o trabalho voluntário que fazia com população de rua. Psicologia? Serviço Social? Escolheu serviço social. Opção acertada. Durante o curso, descobriu que a profissão era a sua cara. “É dinâmico, prático, protagonismo, faz com que o indivíduo vá atrás dos seus direitos. Lute. Gosto disso, acho que tem tudo haver comigo esta briga”, constata.

Com nome em homenagem a uma cantora, o lema da Gi, Gigi, Canjica ou, apenas, Giani, é "seguir em frente", assim como a música de Almir Sater, e viver todas as fases da vida intensamente. Hoje, depois de brincar, descobrir e se firmar, está em uma de suas melhores fases: VIVER!

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Simplesmente...AMOR


Texto e foto: Stela Murgel

Sentada no leito tomando seu café e com olhar desconfiado, está Joelma Souza, 46 anos. No rosto, as marcas deixadas pela vida difícil de uma mulher que não teve infância. “Vivia pelo mundo”, diz com um fio de voz.
Mãe de 5 filhos, Jo foi obrigada a amadurecer cedo. Teve sua primeira filha aos 12 anos, fruto de um abuso sofrido por um conhecido, assim como milhares de Joelmas neste Brasil. É em um vai e vem que conta sua história, que tem uma ferida profunda aberta (e não cicatrizada) no dia que lhe arrancaram do braço sua primogênita, gerada através da violência, mas amada como uma menina ama sua primeira boneca
Ainda criança, teve que aprender a enfrentar o mundo e os obstáculos. Não foi alfabetizada, mas fez questão que suas maiores bênçãos, os filhos, estudassem. Natural de Iguape, entrava na adolescência quando se casou e foi morar no sítio.
Hoje, internada na enfermaria de cuidados paliativos do Hospital das Clínicas, não vê a hora de retornar para sua casa, suas crias e netos. Guerreira, a mulher que resume o ontem como "terrível", o hoje como "é legal", e o amanhã como "será legal", tem o sonho de se curar e voltar a sua rotina, de antes do AVC e do infarto.

O destino prega peças, e no caso de JoJo, que se define na palavra amor, já que não consegue trazer no coração sentimentos como raiva, ódio, mágoa, ele foi certeiro, tornou seu coração fraco. Mas, não tão debilitado que não consiga levar dentro dele o mais puro e grande dos sentimentos, o AMOR!

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

A gata que cuida




Texto e foto:  Stela Murgel

Horror. Vontade de voltar correndo para casa. Estas foram as primeiras sensações que a técnica de enfermagem Tanisa Helena, a Tan Tan, sentiu ao chegar em São Paulo. Ainda lembra do vai e vem da rodoviária do Jabaquara. "Me deu uma frustração estar longe de onde achava que ia ficar a vida toda”, conta Tanisa.
Natural de Itariri, no Vale do Ribeira, cidade com 15 mil habitantes, era de se esperar o choque ao se deparar com a cidade grande. Pegar metrô, ônibus, tudo muito novo para a moça de interior que, sozinha, veio parar na loucura paulistana por uma oportunidade de emprego."Chorei uma semana”, relembra com sorriso no rosto.
Com a infância marcada pela figura da avó materna, Tanisa escolheu a profissão por causa do pai, que faleceu ainda jovem. O sentimento de impotência por não saber o que fazer para ajuda-lo durante a enfermidade, fez com que a adolescente prometesse a si mesma que cuidaria de outras pessoas quando crescesse.
O cheiro das plantas que traz na memória, remete a sua infância, a  sua família. Gosta de estar no aconchego do lar junto ao marido e aos quatro gatos. Ler histórias de terror é um dos hobbys preferidos desta mulher de sorriso cativante que busca amizades verdadeiras.

O sorriso farto e o jeito desinibido, escondem uma personalidade felina. Tímida, ela sorri, mas assim como um gato, só irá se “aconchegar” aos novos amigos depois de conhecer. “É preciso me conquistar, para que eu mostre meu melhor lado”, diz . Mas, o que a gata que cuida esquece de salientar é que, como na história do pequeno príncipe, somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos e, portanto, ela que tem como inspiração os colegas de trabalho, é responsável por cada um deles, mesmo antes de mostrar o seu melhor lado.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Liberdade de adaptar


Texto: Stela Murgel
Foto: Arquivo Pessoal

Rua, pés no chão, liberdade...imagem que vem a cabeça de Fernando Pontes, o FerNando, terapeuta ocupacional do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUSP.
Natural de São Vicente, litoral de São Paulo, FernaNdo cresceu brincando na rua e construindo castelos de areia. “tive uma infância muito gostosa e tranquila”, diz o terapeuta.
Como bom geminiano, sua vida é marcada por duas vertentes. Transita de um lado a outro. Curiosidade, inteligência e desejo de liberdade, fazem parte de sua rotina. Escolheu a Terapia Ocupacional numa feira de profissões. “Durante uma palestra soube que a terapia adaptava a pessoa a realizar suas atividades, e me interessei”, conta.
As dúvidas que tinha sobre sua escolha, se desmancharam logo no primeiro ano da graduação. “Me apaixonei pelo curso”, diz com um ar de quem fez a escolha certa.
Entre São Paulo e São Vicente, o agito e a tranquilidade, o antigo e o tecnológico, Fernando consegue viver de maneira versátil com o Fê do agito, do trabalho e o Nando da tranquilidade, da família.
Menino. Homem. Não importa qual face do signo de Gêmeos estará evidente, pois todas mostram uma ânsia pelo conhecer, pelo novo, por estar com os amigos.
Dócil, fácil de lidar, observador, é possível enxergar no meio dos dois extremos, o profissional, que  de maneira extremamente humanizada, ensina seus pacientes a reaprenderem a realizar suas tarefas. É possível encontrar um equilíbrio chamado FERNANDO

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Detran homenageia profissionais do IOT




Texto: Stela Murgel



“Acidente com sete carros na Marginal Pinheiros deixa cinco feridos”... “Colisão entre veículos deixa 3 mortos e 1 ferido no Itaim Bibi, em SP”...já virou rotina, todos os dias ao abrirmos os jornais ou site de notícias e nos depararmos com fatos como estes. E no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUSP, o atendimento das vítimas de acidentes de trânsito já faz parte do dia a dia dos profissionais.

Médicos, assistentes sociais, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, enfim todos que nele trabalham lidam direta ou indiretamente com os acidentados. Não é raro noticiarem que os feridos foram enviados para o Hospital das Clínicas, pois geralmente são lesões graves. Lesões, muitas vezes, causadas por imprudência de quem dirige. Não é o carro que causa o acidente, é o motorista.

A vítima tem nome, precisa se reabilitar, e tem uma vida social a ser reestruturada. Para isso, recebe o atendimento do doutor, da fisio, da TO, da assistente social, e de outros tantos que trabalham duro para amenizar as consequências e sequelas deixadas pelo descuido no trânsito.

Este ano, através de uma ação do Detran-SP para a Semana Nacional do Trânsito, estes profissionais deixaram de ser uma sigla, uma máscara, um terapeuta, um assistente e ganharam um rosto, um nome, e o agradecimento de motoristas infratores que participaram do curso de reciclagem.

Além de participarem do bate papo com o Dr. Jorge dos Santos Silva (diretor clínico), Izabel Miomy (enfermeira), Raquel Moura (fisioterapeuta), e Lilian Aparecida G. Maria (assistente social), cada infrator escreveu uma carta de agradecimento a um profissional do IOT que atende vítimas de trânsito. Não faltaram agradecimentos e palavras para expressar a admiração aos nossos profissionais. E a nós, que trabalhamos todos os dias com esta família chamada ortopedia, só nos resta bater palmas e dizer um lindo e coletivo : MUITO OBRIGADO!



terça-feira, 24 de setembro de 2019

Transforme sua lágrima em sorriso



Texto: Stela Murgel
Foto: álbum de família


Lágrima: dor e tristeza. Sorriso: satisfação. Como a dor da perda pode se transformar em sorriso de satisfação? Pode parecer impossível, mas acredite, esta mutação acontece. Uma lágrima pode se multiplicar e ter como resultado inúmeros sorrisos.
Uma gota pode hidratar e reerguer uma planta, assim como a lágrima derramada pela perda de um ente querido pode dar uma nova vida a quem está se apagando.
Dói, mas é preciso regar, e fazer com que cada uma das sementes retiradas brote e floresça numa nova chance.
Fazer com que aquele ente se multiplique, se torne onipresente. Imagine como será bom ver um pouquinho da pessoa amada em várias pessoas. Ele terá a oportunidade de viver de várias maneiras, estilos de vida, gênero, raça...enfim, de alguma forma ele viverá!
Não é fácil. Ninguém disse que será. No entanto, quando tudo isso passar e olhar para trás, verá que a lágrima se transformou em sorrisos. E, no reflexo do espelho, notará que a gota que escorreu dos olhos fez brotar na boca um SORRISO!


sexta-feira, 20 de setembro de 2019

A pitada de “sal” que da graça a ortopedia

Texto: Stela Murgel
Foto: Arquivo Pessoal


4h30 da manhã. Hora de menino de 12 anos ainda estar dormindo. Mas, o ortopedista Luiz Koiti Kimura, o Kimura como é conhecido por todos, lembra, de nesta idade, ir nas peixarias da liberdade com o pai. Lá encontravam os poucos chefes de cozinha famosos que haviam na colônia na década de 1970.
Filho de uma dona de casa com um vendedor, Kimura herdou a paixão pela culinária dos pais, que não o deixavam cozinhar. “Só comecei quando fui morar sozinho”, conta enquanto a memória te traz mais histórias sobre culinária.
Criado no Ipiranga, escolheu a medicina por acaso.  Apesar de ser bom na profissão, é sobre a gastronomia que gosta de falar. De um episódio, sempre encontra um fio condutor para outro.
Da comida imperial chinesa à comida de rua. Através das recordações do ortopedista, é possível saber a cultura e algumas curiosidades da culinária de cada região.

Visão, olfato, e paladar...ah o paladar, este dos três, é o principal sentido para se apreciar a boa comida segundo o ortopedista que define sua personalidade como sal. “Sal é o principal ingrediente, é ele que dá gosto ou não ao prato”, diz.
Com uma biblioteca gastronômica maior que a de medicina, sonha em conhecer todos os restaurantes do mundo. Conhecido e amigo de grandes chefes de cozinha como Alex Atala, atende no consultório muitos profissionais da área. “A medicina e a culinária acabaram se encontrando de certa forma”, constata o médico.
Quem ouve o especialista falar, logo pensa que gastronomia teria sido a escolha mais sensata. Mas quem vê o médico atuar, conclui que a medicina ganhou um pouco de “sal”.  

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Feliz Dia do Ortopedista








Texto e foto: Stela Murgel


Ortopedista: o que pratica a ortopedia; especialista em ortopedia (especialidade médica que cuida do aparelho locomotor). Na prática, verdadeiros artistas que restauram seres humanos... Recuperar a mais perfeita das máquinas já inventadas, é tarefa para poucos. É preciso força, objetividade e praticidade para encaixar as peças e manter a funcionalidade do sistema composto por ossos, músculos, ligamentos e articulações. Dizem que ortopedista não é médico...realmente, ele é muito mais que um médico. Ele trata, conserta, cura, enfim restaura com maestria a mais perfeita das obras: a estrutura que mantem todos os órgãos no lugar: o aparelho locomotor. E no dia do ortopedista, nada mais justo que desejar a estes especialistas na arte de consertar pessoas um : FELIZ DIA DO ORTOPEDISTA!

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

"Deixa a vida me levar... eu só quero é ser feliz"


 Texto: Stela Murgel
Fotos: Arquivo pessoal


F-I-S-I-O-T-E-R-A-P-I-A, palavra grande para uma menina de 8 anos, mas suficientemente chamativa para saber o que queria ser quando fosse grande. Hoje, a menina cresceu e sabe que fisioterapia não é apenas uma palavra bonita. A criança que se vestia de caipira e brincava com o pai, deu lugar a moça que sorri com os olhos e a fisio Raquel, como é chamada pelos pacientes.
Raquel Moura, a Quel,  sempre quis ser fisioterapeuta. “Acho que foi um dom que ganhei de presente”, diz em meio a um sorriso de menina.
 Há seis anos no Instituto de Ortopedia do HCFMUSP, Raquel conta que nunca precisou procurar emprego. “Minha vida foi sendo guiada por Deus”, constata fazendo uma retrospectiva do caminho percorrido até chegar ao hospital.
Extremamente ligada à família, a moça de sorriso fácil, enxerga em seus pacientes muito mais que uma perna, um braço. Acredita que o sucesso do tratamento é olhar o paciente como um todo, e fazer com que ele entenda a importância da reabilitação no contexto de sua vida. “Não adianta imobilizar uma perna se ela não tiver sentido para a pessoa. Procuro através de meu trabalho deixar o paciente o mais próximo do que era antes”, fala.
Com a vocação de ajudar ao próximo, herdada do avô, a fisioterapeuta consegue criar um vínculo com seus pacientes. No celular, as fotos do seu maior bem, a família.
Depois da morte de maneira trágica do pai, ela, a irmã e a mãe se uniram ainda mais. Apesar do baque de ter perdido o pai de maneira trágica, Raquel não vê a morte como algo ruim. Acredita que a vida tem um começo, um meio e um fim, e por isso procura viver o hoje.
“E deixa a vida me levar (vida leva eu!)”, é com este refrão que se define a menina que queria fazer FISIOTERAPIA, mas ao conversar um pouquinho com a moça de alto astral que gosta de cuidar, percebemos que nesta trilha sonora cabe mais um refrão: "Eu só quero é ser feliz!"



quinta-feira, 5 de setembro de 2019

De pequena 'tocadora' de passarinhos à Assistente Social



Texto e foto: Stela Murgel



O ano, 1959. A lembrança, a mãe segurando uma lamparina o mais alto que podia e chorando. “Parecia uma santa”, recorda a assistente social do Instituto de Ortopedia do HCFMUSP, Alice Hirano.

Filha de japoneses, Alice trás na memória a última vez que viu sua genitora, no dia que saiu de Mato Grosso do Sul, com 8 anos, para estudar em São Paulo. Pelas mãos do pai, um homem rígido, mas de coração grande, a pequena Alice começou sua trajetória.

Com sorriso de menina relembra o pôr do sol e o vento de Presidente Venceslau (SP), cidade onde nasceu. E é com carinho, que a sexta filha, de uma prole de 11 filhos, conta do “panelaço” que fazia para espantar os passarinhos da plantação de arroz. “Na hora que desciam para comer, saíamos fazendo maior barulho e gritando para tocarmos os passarinhos”, conta rindo.
Alfabetizada pela irmã, pensou em ser professora de história. Mas, aos 12 anos, quando uma professora contou sobre algumas profissões, se interessou pela assistência social. “Atender famílias, pessoas com dificuldades, problemas, conflitos, enfim, poder ser mediadora e orientar, era o que eu queria fazer”, diz.

Após se formar, a profissional passou por lugares como: Hospital Municipal de Itaquera, Entidade Beneficência Nippo Brasileira, e Santa Marcelina. Com 59 anos, perto de se aposentar, Alice resolveu se libertar e assumir sua idade. “Foi a melhor coisa que fiz”, afirma. Coincidência ou não, o 59 parece ser um divisor de etapas na vida desta nissei de sorriso maroto.

Em 2012, entrou para o Instituto de Ortopedia. Mesmo aposentada, acha que não é a hora de parar. “O reconhecimento dos pacientes me faz continuar. Quando agradecem, vejo que valeu e vale a pena”, confessa.

Hoje, aos 68 anos, a assistente social Alice Hirano, o exemplo da família por ter se formado, e contrariando a tradição oriental, pois a última palavra da casa é dela, resume sua vida como plena. “Tenho alguns sonhos, mas minha vida até aqui foi muito bem vivida!”, finaliza                                                              

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

De torcedor todo médico tem um pouco



 Texto: Stela Murgel


 Torcer pelo Brasil nos Jogos Pan-americanos de Lima 2019 no lugar mais vip de todos, é para poucos. Mas, fazer parte da torcida privilegiada e da equipe brasileira que conquistou inúmeras medalhas, é para os melhores profissionais das américas. E compondo a delegação verde e amarela estava o ortopedista Mateus Saito.

“Contribuir com o melhor resultado de uma delegação brasileira nos Jogos Pan-americanos foi uma realização pessoal muito grande”, diz o especialista que quando criança sonhava em ser como Jacques Costeau e explorar os mares.Católico, fascinado pela vida e pelo funcionamento dos seres vivos, foi na medicina que encontrou o caminho para ajudar o próximo. “Decidi ser médico por lidar com a vida e com o alívio do sofrimento das pessoas”, conta o especialista.

Durante a graduação, se identificou com a medicina esportiva, pois o esporte promove a saúde e previne doenças. Na residência, optou pela ortopedia por ser uma especialidade prática, objetiva e lidar, muitas vezes, com pacientes saudáveis – como por exemplo, um atleta lesionado.

Mateus, assim como um atleta de alta performance, sempre buscou pela excelência. Como médico da Seleção Brasileira de Judô teve a possibilidade de estar num ambiente de alta performance, junto com os melhores profissionais das américas, buscando os melhores resultados. “Foi um grande mérito fazer parte dos Jogos Pan-americanos de Lima 2019”, diz Saito, nosso especialista medalha de OURO!  

A moleca com mãos de fada




Foto e texto: by Stela Murgel



Moleca! Assim se define a doutora com cara de anjo que faz toda a diferença na vida de seus pacientes Renata Paulos. A menina que subia em árvores, jogava bola, adorava aula de ciências e se defendia dos meninos que ousassem a perturba-la cresceu. Cresceu e se tornou uma médica que não suporta injustiças.

Renata, que sempre quis ser médica, optou pela ortopedia, especialidade que combinava mais com o perfil da menina arteira e atleta. Apesar de afirmar não ser nada delicada, é na delicadeza de seu atendimento e de suas mãos que pacientes tetraplégicos conseguem de volta parte da independência perdida.

Durante um estágio na europa teve o primeiro contato com cirurgias que recuperavam o movimento de pinça das mãos de pacientes tetraplégicos. “Percebi que através daquele trabalho poderia mudar a vida de alguém”, relembra com brilho nos olhos.

A doutora estava certa, sua escolha não poderia ter sido melhor. É possível saber o quanto seu trabalho faz diferença na vida de seus pacientes através de inúmeras mensagens de agradecimento recebidas e guardadas em seu celular como verdadeiras jóias.

Hoje, após muitos obstáculos, a maior recompensa da doutora que não gosta de injustiças, é ver pacientes tetraplégicos dispostos a junto com a equipe de especialistas trabalharem pela “liberdade” de terem parte da independência cotidiana conquistada. É poder estar com um “time” onde cada um tem que fazer sua parte, para no final da partida olhar para trás e dizer:  Valeu a pena!

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Paciente recupera a liberdade de “realizar tarefas sozinha”



Foto e texto: by Stela Murgel



Após cirurgias nas mãos, paciente tetraplégica ganha independência e volta a fazer movimentos que não realizava após acidente 

“...não  preciso que alguém faça por mim, preciso apenas de ajuda em alguns momentos”, diz Gabriela Rodrigues Cardoso, 22 anos. Com um sorriso que vai se formando timidamente ao longo da conversa, Gabi, como é chamada por todos, no auge da sua juventude conta sua trajetória até chegar ao Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUSP e passar com a especialista em mão, Renata Paulos – sua “libertadora” como diz a mãe, Erica Vanessa Cardoso.

Em setembro de 2014, Gabriela foi acompanhar a sogra numa perícia em Bragança. Na volta para Atibaia o carro em que estavam capotou. Assim como o veículo, a vida da jovem que sonhava em casar e fazer faculdade também “virou de cabeça para baixo”... Sua sogra morreu na hora, e Gabi ficou tetraplégica.

“Quando vou poder andar?”, esta foi a primeira coisa que perguntou para os médicos, mas não obteve resposta. A única coisa que disseram é que a recuperação seria de 6 meses a 1 ano. Foram 68 dias internada, 1 ano de reabilitação até ser encaminhada para a ortopedia do HC para uma avaliação e realização de uma cirurgia que daria força nas mãos.

Com medo de cirurgias, a jovem que procurava fazer tudo a sua maneira, só se decidiu a passar pelo procedimento alguns meses depois, e não se arrepende. Com lágrimas nos olhos, lembra quando estendeu o braço esquerdo após a cirurgia. “Não acreditava como os médicos conseguem fazer isso”, conta. “Foi a primeira vez que sorri, que sorri com a alma”, completa a jovem que, segundo ela, não é muito de sorrir, ou pelo menos não era.

Hoje, após ter feito cirurgia nas duas mãos, Gabriela só precisa de ajuda para se transferir de um lugar para outro. Como toda garota de sua idade se pinta, faz escova de cabelo, se depila e, o que era para ela um bicho de “sete cabeças”, a sonda, se tornou um “animal domesticado”. Renata Paulos, segundo suas palavras, a doutora mais humana que já conheceu, lhe devolveu sua liberdade, a sensação de não depender do outro para fazer as coisas por ela.“Tudo que eu puder fazer para melhorar eu farei. O amanhã tá nas mãos de Deus”, finaliza Gabi.

Médico faz da ortopedia sua segunda família






Foto e texto: by Stela Murgel



A engenharia era praticamente certa para Gabriel Errol Menaizagal Mendonza, o o Gabriel da recon, como é conhecido pelos amigos. Mas, quis o destino que ao invés de um “construtor” o mundo ganhasse um “reconstrutor”. Voluntário do grupo de reconstrução do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUSP, natural de Oruro, Bolívia, Gabriel sempre quis ser médico, “ se não conseguisse ingressar na medicina iria para o seminário”, conta.

Portador de uma síndrome que causa deformidade na face, esperou terminar a faculdade de medicina para retomar o tratamento que iniciou em Cuba aos 6 anos. Por indicação de uma colega de trabalho, veio ao Brasil, país que não estava em seus planos, procurar tratamento. E, como ele mesmo diz, “nada acontece por acaso”, mais uma vez o senhor destino deu uma mão e fez com que chegasse ao Brasil há tempo de prestar residência na ortopedia do Hospital das Clinicas como estrangeiro.

O ano de 2011, chegou cheio de desafios para o novo residente, um novo país, retomar um tratamento, e dar início a residência médica. É com carinho que lembra da primeira Reunião Clínica em que teve que se apresentar, “fiquei com vontade de fazer xixi de medo”, conta, “e nunca vou esquecer que o primeiro a falar comigo foi o dr Paulo Reis, que hoje tenho como um pai”, completa.

Foram anos difíceis. Pensou em desistir e voltar para Bolivia, mas depois, apesar das dificuldades, foi descobrindo na instituição sua segunda família com direito a um “pai”, dr Paulo Reis, e a um “irmão herói”, dr Luciano Torres, por quem tem profunda admiração, além de ter feito duas das 6 cirurgias pelas quais passou no Brasil. Mas, a família não para nos dois membros, a lista é grande e Gabriel teme esquecer alguém.


Hoje, o médico com nome de anjo, querido por colegas e pacientes, cheio de gratidão, descobriu que sua alma é brasileira e sua outra metade é o Instituto de Ortopedia. A conquista foi difícil, como toda a relação cheia de altos e baixos, com direito a uma mistura de sentimentos, mas ao longo dos anos construíram uma linda “história de amor”