Foto e texto: Stela Murgel
Não é raro nos depararmos com a cena de um médico, de princípios rígidos para determinados assuntos, esbravejando nos corredores do centro cirúrgico ou do ambulatório. Logo pensamos, estou na fábrica dos Monstros S.A., em que o lema é “no susto e no grito fazemos bonito”? Não, é apenas o dia do especialista em mão Emygdio José Leomil de Paula, o “Sullivan” do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUSP, que assim como a grande bola de pelo da animação é sensível e dono de um coração enorme.
Filho de um militar, é o segundo de seis irmãos. Natural de Santos, o menino de
infância nômade sempre quis ser médico, ortopedista e trabalhar com mão. No
colegial, chegou a aprender um pouco de cinema, algo de que sempre gostou, mas
não desistiu de seu propósito, SER MÉDICO.
Na faculdade, enquanto
os colegas não sabiam qual especialidade seguir, ele já sabia o que queria,
mesmo não sabendo muito bem o que era cirurgia da mão. “A mão sempre me
fascinou, por sua delicadeza, precisão dos movimentos. Ela expressa
sentimentos, fala, puni, cuida. Quem perde a capacidade de mover as mãos perde
o contato com o mundo”, diz Emygdio com uma sensibilidade impar.
Emygdio acredita que sua fama de “bravo” se deve pelo fato de não
admitir certas atitudes. “O médico precisa ter respeito e responsabilidade para o doente
que se entrega na mãos dele”, fala.
Como bom educador, procura ensinar a nova geração de médicos o que os livros não contam, deixa
que aprendam e mostra que podem errar. “Começo a ver o aeroporto, começo a
delegar para os que ajudei a mostrar o caminho”, constata com orgulho dos profissionais
que formou.
Hoje, o nosso “Sullivan”
que conquistou tudo que desejou, tem nas mãos dos filhos, cujo o nascimento marcou
sua vida, a realização da única coisa que falta: netos.
Emygdio que abraça as
causas perdidas, que cuida das pessoas “esquecidas”, assim como das orquídeas de
seu orquidário, com paciência e carinho, vêm de uma família onde se chamar pelo
nome Emygdio em uma festa, muitos irão responder, já que é um nome comum entre
os primogênitos. Mas, com certeza, na família IOT ele será o único, e como
diria Boo “Alguém tem que cuidar de você, bola de pelo."















