Texto e foto: Stela Murgel
Sentada no leito tomando seu café e com olhar desconfiado, está Joelma Souza, 46 anos. No rosto, as marcas deixadas pela vida difícil de uma mulher que não teve infância. “Vivia pelo mundo”, diz com um fio de voz.
Mãe de 5 filhos, Jo foi obrigada a amadurecer cedo. Teve sua primeira filha aos 12 anos, fruto de um abuso sofrido por um conhecido, assim como milhares de Joelmas neste Brasil. É em um vai e vem que conta sua história, que tem uma ferida profunda aberta (e não cicatrizada) no dia que lhe arrancaram do braço sua primogênita, gerada através da violência, mas amada como uma menina ama sua primeira boneca
Ainda criança, teve que aprender a enfrentar o mundo e os obstáculos. Não foi alfabetizada, mas fez questão que suas maiores bênçãos, os filhos, estudassem. Natural de Iguape, entrava na adolescência quando se casou e foi morar no sítio.
Hoje, internada na enfermaria de cuidados paliativos do Hospital das Clínicas, não vê a hora de retornar para sua casa, suas crias e netos. Guerreira, a mulher que resume o ontem como "terrível", o hoje como "é legal", e o amanhã como "será legal", tem o sonho de se curar e voltar a sua rotina, de antes do AVC e do infarto.
O destino prega peças, e no caso de JoJo, que se define na palavra amor, já que não consegue trazer no coração sentimentos como raiva, ódio, mágoa, ele foi certeiro, tornou seu coração fraco. Mas, não tão debilitado que não consiga levar dentro dele o mais puro e grande dos sentimentos, o AMOR!

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