Foto e texto: Stela Murgel
Sem poder receber
visitas, acordou pensando na Neide, sua sobrinha , e com mais duas
preocupações: não tinha roupa para ir para casa e nem chave para abrir a porta.
Afinal, ela queria ir embora. Estava muito bem tratada e cheia de atenções, mas
queria ir para casa.
Entretida com seus
pensamentos dona Aura nem percebeu a aproximação da equipe da humanização que
vinha para a hora da visita. Visita? Sim, uma televisita! Ela poderia falar com
a Neide.
“Meu deus, não sabia
que existia isso. Vou ver Neide? Onde está Neide?” questiona a paciente
encantada com a novidade tecnológica e a possibilidade de ver e falar com
Neide. São duas tentativas até se conectarem, e quando Neide finalmente aparece
a euforia é tanta em dizer que estava sem roupa para ir embora e chave da casa
que dona Aura nem notou que não conseguia ouvi-la. Mas, nada importava, ela
estava vendo Neide, a Laudineide que cuidou quando criança, e agora, cuida
dela.
Euforia, gestos,
alegria fizeram parte da hora da visita do leito 73 na enfermaria do Pronto
Socorro do Hospital das Clínicas de São Paulo. Não importa se dona Aurea não
escutava, ela podia falar e ver o sorriso de quem tanto amava. E esta mistura
de emoções marcou a tão esperada visita da Neide.
