segunda-feira, 7 de outubro de 2019

A gata que cuida




Texto e foto:  Stela Murgel

Horror. Vontade de voltar correndo para casa. Estas foram as primeiras sensações que a técnica de enfermagem Tanisa Helena, a Tan Tan, sentiu ao chegar em São Paulo. Ainda lembra do vai e vem da rodoviária do Jabaquara. "Me deu uma frustração estar longe de onde achava que ia ficar a vida toda”, conta Tanisa.
Natural de Itariri, no Vale do Ribeira, cidade com 15 mil habitantes, era de se esperar o choque ao se deparar com a cidade grande. Pegar metrô, ônibus, tudo muito novo para a moça de interior que, sozinha, veio parar na loucura paulistana por uma oportunidade de emprego."Chorei uma semana”, relembra com sorriso no rosto.
Com a infância marcada pela figura da avó materna, Tanisa escolheu a profissão por causa do pai, que faleceu ainda jovem. O sentimento de impotência por não saber o que fazer para ajuda-lo durante a enfermidade, fez com que a adolescente prometesse a si mesma que cuidaria de outras pessoas quando crescesse.
O cheiro das plantas que traz na memória, remete a sua infância, a  sua família. Gosta de estar no aconchego do lar junto ao marido e aos quatro gatos. Ler histórias de terror é um dos hobbys preferidos desta mulher de sorriso cativante que busca amizades verdadeiras.

O sorriso farto e o jeito desinibido, escondem uma personalidade felina. Tímida, ela sorri, mas assim como um gato, só irá se “aconchegar” aos novos amigos depois de conhecer. “É preciso me conquistar, para que eu mostre meu melhor lado”, diz . Mas, o que a gata que cuida esquece de salientar é que, como na história do pequeno príncipe, somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos e, portanto, ela que tem como inspiração os colegas de trabalho, é responsável por cada um deles, mesmo antes de mostrar o seu melhor lado.

2 comentários:

  1. Amei �� minha linda.. Tan irmãzinha.

    ResponderExcluir
  2. Amei a homenagem. Foi uma honra ser entrevistada pela nossa queridissima Stela Murgel.

    ResponderExcluir