Texto: Stela Murgel
Foto: Arquivo Pessoal
4h30 da manhã. Hora de menino de 12 anos ainda estar dormindo. Mas, o ortopedista Luiz Koiti Kimura, o Kimura como é conhecido por todos, lembra, de nesta idade, ir nas peixarias da liberdade com o pai. Lá encontravam os poucos chefes de cozinha famosos que haviam na colônia na década de 1970.
Filho de uma dona de casa com um vendedor, Kimura herdou a paixão pela culinária dos pais, que não o deixavam cozinhar. “Só comecei quando fui morar sozinho”, conta enquanto a memória te traz mais histórias sobre culinária.
Criado no Ipiranga, escolheu a medicina por acaso. Apesar de ser bom na profissão, é sobre a gastronomia que gosta de falar. De um episódio, sempre encontra um fio condutor para outro.
Da comida imperial chinesa à comida de rua. Através das recordações do ortopedista, é possível saber a cultura e algumas curiosidades da culinária de cada região.
Visão, olfato, e paladar...ah o paladar, este dos três, é o principal sentido para se apreciar a boa comida segundo o ortopedista que define sua personalidade como sal. “Sal é o principal ingrediente, é ele que dá gosto ou não ao prato”, diz.
Com uma biblioteca gastronômica maior que a de medicina, sonha em conhecer todos os restaurantes do mundo. Conhecido e amigo de grandes chefes de cozinha como Alex Atala, atende no consultório muitos profissionais da área. “A medicina e a culinária acabaram se encontrando de certa forma”, constata o médico.
Quem ouve o especialista falar, logo pensa que gastronomia teria sido a escolha mais sensata. Mas quem vê o médico atuar, conclui que a medicina ganhou um pouco de “sal”.

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