Texto e foto: Stela Murgel
Posto de enfermagem do 1ºB. Atrás do balcão, Dani, com a feição de quem aguarda na janela entre um afazer e outro. A oficial administrativa, Danielle Carla da Silva, é a segunda de três irmãos. “A “dona encrenca”, a que questiona tudo”, diz.
Natural de São Paulo, é uma “hagaciana” de berço. Nasceu no Hospital das Clínicas, frequentou a creche, estudou nos arredores e, hoje, trabalha na ortopedia. “HC na veia”, fala dando risada, a descendente de uma funcionária aposentada da instituição.
Da criança que cresceu com o pai ausente, tem na memória a lembrança da batalha da mãe para a criação dos filhos, e a vitamina de abacate na mamadeira, momento que ficou na memória dela e dos irmãos. “Era a hora que tínhamos para ficarmos todos juntos”, conta.
Persistência é a palavra que define a moça de personalidade forte, que aprendeu a se defender do preconceito racial, e que procura ser uma inspiração para a filha de 14 anos, assim como a mãe é para ela. “Sou amiga de minha filha, mas quando é para ser mãe eu sou MÂE! E se tiver que defender minha cria, viro uma verdadeira leoa”.
Atualmente, além do trabalho no hospital, Danielle - que também é formada em recursos humanos e protética – se aperfeiçoa na área de estética. Ela que sempre foi muito vaidosa, e que criou coragem depois dos 30 anos de ousar no visual, gosta de cuidar da estética das pessoas.
Extremamente família, foi com a mãe que aprendeu que a união é o que realmente importa. Hoje, a menina tímida, deu espaço a mulher desinibida, durona, mas sensível, e com um sorriso que a acompanha em cada passo dado. Seletiva nas amizades e dona de uma alma colorida, tem certeza que cada semente plantada para o futuro “vai valer a pena”.

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